Que despertar gostoso.
O silêncio,
O ritmo do coração e o sussurrar do vento.
A flor desabrochando.
O corpo se entrega e tensiona.
Todos os sentidos ativos.
As costas pinicam com a chuva fina.
A passarinhada encanta.
O canivete corta a dança.

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Gosto das cores, das flores, das estrelas, do

Gosto das cores, das flores, das estrelas, do verde das árvores, gosto de observar. A beleza da vida se esconde por ali, e por mais uma infinidade de lugares, basta saber, e principalmente, basta querer enxergar.

Clarice Lispector

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Hemingway & Gellhorn

Cedinho continuei em minha jornada cinematográfica deste final de semana.
Hemingway & Gellhorn é um espetáculo. Não senti o tempo passar. Nicole Kidman e Clive Owen arrasando com suas formosuras e competências na interpretação.
A fita relata a adrenalina do trabalho, bastidores, pressões políticas e responsabilidade em meio à violência das várias guerras do século passado. Viaja fundo nos conflitos pessoais de cada um dos personagens em busca de suas motivações. Ficou perfeita a abordagem da dor que a guerra impõem às cidades e pessoas tão presentes no trabalho de ambos. O striptease da vida privada de Gellhorn e Hemingway e suas lutas pessoais para lidarem com suas próprias complexidades e limitações são uma boa aula para reflexões. Lembrei-me logo de minhas conversas com o lobo amigo e sua luta contra o tédio. A combinação disso tudo ficou fantástico. O encontro, a paixão, o amor e a vida sexual do inquieto casal nos embalam até o fim num piscar de olhos.

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Gosto das cores, das flores, das estrelas, do

Gosto das cores, das flores, das estrelas, do verde das árvores, gosto de observar. A beleza da vida se esconde por ali, e por mais uma infinidade de lugares, basta saber, e principalmente, basta querer enxergar.

Clarice Lispector

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Alma Fêmea, por Cezar Conde

Alma Fêmea

A coisa mais importante da vida?
É a minha vida!
Ela é minha coisa mais importante!
Com suas cores, suas dores, seus amores, suas flores, seus odores,
Que, dependendo do instante,
Cheiram bem ou cheiram mal.
E que mal há, se o mal cheiro é fruto do esforço de se achar?
E que bem há, se o cheiro bom é falso, por se negar a procurar?
Nossas escolhas estão sempre certas
Mesmo que nossas mentes nos pareçam ou não abertas.
O sofrimento, ou permitimos ou convidamos ou cultivamos,
E na vitimização e na autocomiseração nos esbaldamos.
Quanto mais um tolera, mais o outro abusa,
E depois, bem infeliz, o um ao outro acusa.
A dor é um território desconfortável, mas familiar, não assusta.
O que ameaça é a mudança, o novo, a plenitude que tanto se busca.
E alma gêmea existe? É possível encontrar?
Claro que sim,
Num mergulho sem fim,
No encontro com nós mesmos.
Tão certo disso, com minha alma
Gêmea, porque nela me vejo,
Estou no encalço, despido, descalço,
Da minha alma
Fêmea, porque com ela almejo
O simples caminhar de mãos e almas dadas

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Fim de ciclos

Confesso que sinto forte apego por gente, alguns livros e por jardins.

Meu jardim está moribundo e embora já tenha aprendido alguma coisa sobre ciclos da vida-morte-vida, sofro aflita. Não quero perder meus coqueirinhos e minhas árvores da felicidade e samambaias. Aquelas flores exuberantes que tenho por vezes por aqui, lamento muito a falta, mas entendo com mais facilidade como a rapidez da exuberância vão e vem.

Durante anos da minha vida levava as minhas plantas que começavam a fraquejar para a mamãe salvá-las. Mamãe era minha fiel depositária de boa parte dos meus próprios encargos. Depois de algum tempo, orgulhosa, apontava o resultado de seus cuidados – beleza e saúde.  

Nunca nem pensei qual o índice de sucesso ou fracasso. Ou quanto lhe transferia de peso e encargos. Conhecia sobre sua garra e sabedoria amável, invejáveis. Inquestionáveis. Dava conta do recado direitinho. 

Agora nem tenho mais a mamãe para delegar as perdas e danos do meu jardim. Quando minhas plantas começam a aparentar fim do ciclo tenho que assumir toda responsabilidade.

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Preámbulo a las instrucciones para dar cuerda al reloj

Objeto de minha sedução: Cortázar, Cuentos Completos/1 p 424 – Alfaguara.

 Preámbulo a las instrucciones para dar cuerda al reloj

Piensa em esto: cuando te regalan um reloj te regalan un pequño infierno florido, una cadena de rosas, un calabozo de aire. No te dan solamente el reloj, que los cumplas muy felices y esperamos que te dure porque es de buena marca, suizo com áncora de rubíes; no te regalan solamente ese menudo picapedrero que te atarás a la muñeca y pasearás contigo. Te regalan – no lo sabe, lo terrible es que no lo saben -, te regalan un nuevo pedazo frágil y precário de ti mismo, algo que es tuyo pero no es tu cuerpo, que hay que atar a tu cuerpo com su Correa  como um bracito desesperado colgándose de tu muñeca. Te regalan la necesidad de darle cuerda todos los dias, la obligación de darle cuerda para que siga siendo u eloj; te regalan la obsesión de atender  a La hora exacta em lãs vitrinas de lãs joyerías, em El anuncio por La radio, em El servicio telefônico. Te regalan el miedo de perderlo, de que te roben, de que se te caiga al suelo y se rompa. Te regalan su marca, y la seguridad de que es uma marca mejor que las otras, te regalan la tendencia a comparar tu reloj com los  demás relojes. No te regalan um reloj, tu eres el regalado, a ti te ofrecen para el cumpleaños del reloj.

 

 

Instrucciones para dar cuerda al reloj

 

Allá en el fondo está  la muerte, pero no tenga miedo. Sujete el reloj com una mano, tome con dos dedos la llave de la cuerda, remóntela suavemente. Ahora se abre otro plazo, los árboles despliegan sus hojas, ls barca corren regatas, el tiempo como un abanico se va llenando de sí mismo y de él brotan el aire, las brisas de la tierra, la sombra de uma mujer, el perfume del pan.

Qué más quiere, qué más quiere? Átelo pronto a su muñeca déjelo latir em libertad, imítelo anhelante. El miedo herrumbra la áncoras, cada cosa que pudo alcanzarse y fue olvidada va corroyendo las venas del reloj, gangrenando la fría sangre de SUS pequeños rubíes. Y allá en el fondo está la muerte si no corremos y llegarmos antes y compreendermos que ya no importa.

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