Expectativa de dias melhores

Porta de saída
 
MARCELO GARCIA
Nos últimos oito anos, o Estado do Rio de Janeiro não contou com uma política
social que garantisse à população pobre e vulnerável sua emancipação das
condições diárias de pobreza e de miséria. Uma política social séria e eficiente
não comemora a quantidade de pessoas que passam pela porta de entrada dos
programas sociais, e sim as que passam pela porta de saída e conseguem de fato
uma inclusão social sustentável.
 
Os governos não podem consolidar seus programas sociais em porta de entrada para
o clientelismo e assistencialismo. Sua missão é formular estratégias de proteção
e acompanhar todas as famílias atendidas, para que estas possam atravessar o
fosso que separa a exclusão da inclusão.
 
A partir de agora, 1o de janeiro de 2007, o Estado do Rio tem a rara oportunidade
de mudar seu rumo e pensar na população pobre, na perspectiva de que esta tem o
direito de ser incluída de forma sustentável, e não apenas em um programa que
não se compromete com a mudança de indicadores sociais e com a construção de uma
sólida porta de saída.
 
O novo governo estadual deve pensar muito em sua política social e, sobretudo,
organizar uma agenda imediata de mudanças compartilhada com os municípios e com
a sociedade fluminense. Uma agenda imediata é ter a coragem de articular o
Cheque Cidadão ao Bolsa Família, que é um programa de transferência de renda
universal. Manter o Cheque Cidadão no modelo atual, sem cadastro, sem
acompanhamento das famílias e através das igrejas cristãs, é desconhecer
completamente que superposição, em política social, é o seu primeiro sinal de
fracasso.
 
O governo do estado pode perfeitamente transferir os beneficiários do Cheque
Cidadão para o Bolsa Família, e usar os recursos do famoso e inoperante cheque
para organizar o Sistema Único da Assistência Social no estado, com a
implantação de pelo menos 1.300 Centros de Referência da Assistência Social e
200 Centros de Referência Especializados de Assistência Social em todos os
lugares vulneráveis do estado. Organizar um amplo concurso público para
assistentes sociais, psicólogos, antropólogos, sociólogos e outros profissionais
para que, através deste exército profissional de combate à pobreza, possamos
desprecarizar as ações e ter equipes de servidores em todos os bolsões de
pobreza do estado.
 
O governo do estado precisa sair na frente e fortalecer as ações das
prefeituras, oferecendo recursos, coordenação e assessoramento permanente a
todos os municípios do Estado do Rio. A prefeitura da cidade do Rio se coloca à
disposição deste novo momento que precisa chegar. Não tenho dúvidas de que os
fluminenses querem superar a pobreza.
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