Inferno Astral

Quando eu estou aqui vivendo este momento lindo…

Creio que a música de Roberto Carlos encanta a qualquer um de nós que estamos no final do inferno astral, a beira de completar 50 bons anos de vida. Sim, são tantas avenidas momentos que nunca esquecerei. Acredito que estar aqui vivendo esse grande momento e partilhando com tantas pessoas queridas essas emoções é o que tem de melhor.

Ontem fiquei de papo até altas horas, como havia dormido à tarde, uma raridade, resolvi esperar a filha que fora passear na Lapa – jogar sinuca. Ao voltar me contou sobre a noite agradável e os muitos reencontros. A vigília de ontem tem haver com uma crença de poder atribuído especialmente às mães. Estando atenta aos meus sentidos poderia proteger a cria.

Durmo e acordo doida para ir para Rio das Ostras. Liguei para uma amiga que não vejo mais regularmente, de forma surpreendente ouço que ela adoraria ir, mas sua cadela está estressada, no cio, tomando medicação de tarja preta para suportar o rojão. Gente, lembro-me de Juremir e sua chamada para um pouco mais de consciência social. Foi involuntário, sei que não recebo comissão para julgar.  Cada um com suas complexidades e limitações. As minhas me bastam.

Ai ai…

Aqui no Rio temos um dia quentíssimo de verão. Cutuco a filha e digo que estarei indo, se ela gostaria de alguma gostosura de última hora. Ela me dá seu melhor sorriso e diz que saberá se virar. Questiono sua eventual anorexia, tema da semana na imprensa, ela melhora o sorriso e me desconcerta. Realmente está prontinha para a vida.  Consegui ter filhos preparados para dar conta. Acho muito bacana vê-los assim independentes, responsáveis e com enorme consciência social. Nada perfeitos ou bem sucedidos, mas gente sensível e a fim de viver.  Tenho um enorme orgulho e me sinto aquecida em seus braços.

Estou indo, na mala levo muitas saudades, água aditivada de potássio, maiô e os livros que Lu gentilmente enviou-me de presente por Sedex. Fico em dúvida se deveria levar o quebra cabeça dos lobos, mas acabo concluindo que não haverá espaço, não terei uma eternidade por lá. Deixarei Clarissa e a utópica missão de compreensão desta minha combinação química para outra hora.

Não tenho nada a reclamar, mas creio que estou mexida com a expectativa dessa nova fase da vida que se anuncia. Creio que do processo inexorável de avaliação, nesse momento, restaram as crenças no amor, na solidariedade, no respeito ao outro e na diversidade. Estão impressas em minhas células. Resolvo que está bem assim, pelo menos isso não exigirá mais tanto investimento, só vigília e manutenção.

Ouço “ Tu me acostumbraste”, um bolero de 1955 do cubano Frank Dominguez. Espie só que letra maravilhosa. Se alguém quiser, poderei enviar a música. Tenho com 2 arranjos espetaculares.

Tú Me Acostumbraste

 

Tú me acostumbraste
A todas esas cosas
Y tú me enseñaste
Que son maravilhosas

Sutil llegaste a mí
Como la tentación
Llenando de inquietud
Mi corazón

Yo no concebía
Como se queria
En tu mundo raro
Y por to aprendi

Por eso me pregunto
Al ver que me olvidaste
Por qué no me enseñaste
Cómo se vive… Sin ti?

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