Colocando flores

O papinho de mesa de bar hoje cedo com Dus, meu amigo paulistão,  me lembrou algumas estripulias  da época da entresafra. Estava  recém separada de meu primeiro marido e plenamente disposta a provar minha tese sobre “começando novas relações.” Na realidade desenvolvi teoricamente o conceito e sempre tive uma boa argumentação, mas as amigas não aceitavam porque teimavam em dizer que eu não tinha experiência  com a ralação. Elas tinham razão. Ai a razão … nos movem adiante  sem muita compaixão.

"Eu sou a sensação minha.

Portanto, nem da minha própria existência estou certo".

(Fernando Pessoa)

A  abertura democrática nos enchia de esperança, era 1985, e havia muita energia no ar, a máquina pública estava a todo vapor, tempo de aceleradas transformações. O trabalho era maravilhoso e estava perfeitamente casado com minha motivação. Fui a São Paulo discutir sobre a era da informação, que para alguns descrentes batia forte á porta. Naquele instante não poderíamos inferir que daria nisso tudo aqui. MARAVILHA! Lá se foram 20 anos, quantas mudanças.

Desci do avião em São Paulo segura de mim. A certeza de tudo que temos aos quase trinta anos é algo interessante. A AIDS ainda era algo distante, que não fazia sombra a emancipação acelerada da mulher independente. Estava acompanhada de Rosa, parceira de trabalho há muitos anos.  Fomos direto do aeroporto para o evento que logo mostrou-se chatíssimo. Informática nessa época era um “troço”.

Mestre, são plácidas
Todas as horas
Que nós perdemos,
Se no perdê-las,
Qual numa jarra,
Nós pomos flores".
 

( Ricardo Reis)

 

 Imediatamente enveredei num papo paralelo interessante com o colega ao lado. Ele imediatamente assumiu o desafio de mostrar-me, no tempo escasso, tudo sobre as raízes culturais da cidade do trabalho.  Foi excelente, ele tinha muito mais tempo de chão e como eu estava envolvido com o tema da vez. Eu, toda ouvidos. Vagamos pelas ruas, ouvimos violinos com os papas e as mamas,  sentamos pelas calçadas, embaixo de marquizes, cumprimos os rituais japoneses, mostrou-me o lado luz e sombra da cidade. Foram 5 dias intensos, muito bem aproveitados. Só fui ver Rosa no aeroporto, já de volta. Reencontrei com Pedro em Manaus, depois perdemos contato.   Ele deixou em mim a vontade de subir o Rio Negro, mas aguardo a companhia certa pra poder dar conta disso.

Eu quero ser um  novo  porto

só pra te abrigar,

quero ser um velho vinho

só pra te embriagar

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