dou psiu psiu psiu, perguntando por meu bem

Ontem fiquei  a manhã toda de molho – dia da filha assumir por aqui. Ela passou a manhã toda no pc fazendo trabalhos e tc. Aproveitei pra ficar de preguiça. Vi alguns filmes repetecos, sem dar-lhes muita atenção, li e sonhei com vindimas, embalada com Foi Feitiço de André Sardet. Peguei de raspão, o finzinho de um filme que parecia apropriado para o tom de minha imaginação, uma mulher que acaba de aterrizar, recebe uma carta amorosa de um homem na saída do avião, um chamado a lá último romântico, dizendo: “Volte”! Ela sorri manda o taxista dar meia volta pra o aeroporto. Vixe, que paisagem… Ai ai… mas nem quis procurar o nome. Aproveitei também pra fazer as cruzadinhas sobre cinema, que ganhei de uns amigos que foram pra Rio das Ostras noutro dia.  Eles levaram um monte, estão viciados. Eu adorei rever as revistinhas que fazia tempo não burilava.

Depois do almoço de salada verde com molho de mostarda e picanha fininha, tornei a me empuleirar. Dediquei-me fotografar meus pés, já que uma parte é outra parte e uma questão de vida e morte – será arte?

Logo, no início da tarde, me preparei com zelo para sair. Tomei banho bem demorado, retoquei a depilação de meia perna, passei creme de  melão e jasmim da Vizcaya, que está uma beleza, vale a pena conferir. Estava em promoção na Sacks – preços bem convidativos. Arrisquei a experimentar assim que li a combinação dos aromas de minha flor predileta com aquela sensação aguada do melão. Despertou-me imediatamente o interesse. Continuei com o cheiro de Pear da Victoria´s do colo pra cima.. Deixei-me sucumbir, sem culpa, por esse desejo profano.  Acho incrível a minha fidelidade com os cremes, difícil mudar depois que me encontro. Em relação aos homens a mesma coisa, nunca estive com mais de um ao mesmo tempo. Na realidade nem me passava pela cabeça. Fui assim sempre com os amores. Passei o creme calmamente, acariciando suavemente toda a pele. É raro isso, normalmente passo no automático, sempre apressada.  Serão os 50 chegando?

Saí às 14:30 h para ir a uma missa de 7º dia da morte do pai de um amigo. Fazia tempo não entrava em uma igreja, mas gosto muito da celebração. Imediatamente percebi um canto perfeito para uma meditação. Como sempre acontece quando entro em um templo foram abordados temas presentes em meus questionamentos. Apresentam-se como respostas, assim como se discutissem comigo o tema. Tentei abordar a questão outro dia com um dileto amigo, mas ele deu-me um chega pra lá, nem quis ouvir. A liturgia do dia seria sobre atitudes – o desejo de grandeza, a falta de fraternidade, a inveja e rivalidades. O tempo era o presente e incitava-nos a ação. Sempre chegam respostas. Surrupiei a folha de acompanhamento para que pudesse lembrar-me posteriormente, afinal o resto do dia seria cheio. Adoro templos, embora não freqüente com a devida dedicação.

Depois vagueie um pouco pelo shopping, pois marquei com Lu, uma de minhas melhores amigas. Ia dar-lhe uma carona para nosso Encontrão de ex-alunos. Gente, fazia um tempo enorme que não entrava no Shopping Tijuca. Não gosto nada, sabia. Aquela gente toda, tudo absurdamente caro. Assim que Luluzinha chegou partimos para o Leme, bairro ao lado de Copacabana.

Maravilhoso encontrar com gente amiga, especial. Não combinamos nada, mas cada um levou o que tinha de melhor. Isso acontece com quem transborda amor. Luluzinha levou damasco e queijo gorgonzola, pois sabia que eu poderia comer. Lia, dona da casa, nossa amiga das artes – escritora premiada de livros infantis, pintora e grande mestre de professores, mais velha da turma, sempre foi nosso ídolo, preparou-nos uma  bela mesa de delícias. Até eu pude fartar-me, ela  tomou providências sobre isso. Aos poucos foram chegando os outros membros de nosso grupinho da faculdade. Bons tempos esses 31 anos de boa amizade. Formamos o mesmo grupinho de trabalhinhos durante os 5 anos de faculdade e dali por diante nunca deixamos de nos ver. Crescemos juntos e vivemos intensamente. Podemos ficar tempo sem nos ver que parece que paramos o papo ontem. Eu mantive uma relação de grupo e pessoal com cada um deles. Lia ensinou-me muito sobre ser mulher e mãe, era mais velha, vivida e uma mulher interessantíssima. Lu, sempre foi como uma irmã, disse presente em todos os momentos fundamentais de minha vida. Quando ela se separou trouxe-a pra trabalhar comigo na universidade. Eu saí de lá, ela ficou. Adoro sua amizade, disposição pra cooperação e ética excessiva. Adotei toda a sua família como minha. Eu e Lia sempre lucubrando maneiras de fazê-la namorar mais. Emília veio de longe, mas disse presente. Quero muito bem a ela. Os meninos são um caso a parte,  tive uma filha com meu melhor amigo de faculdade, meu último ex. Quando nos separamos, a amizade não ruiu, muito tempo de praia. Só de uns tempos pra cá que ele diminuiu a paparicação, mas embora tenha chiado muito, creio que foi necessário, nossa relação sempre foi algo muito intenso, precisava de um the end. Uia… ouvir Caetano por aqui cantando Eu sei que vou te amar.. ai ai… é de arrepiar. Mas… ele se foi ou melhor fomos. Houve contribuição de dr. Fróid, que me disse algo:  “que diabos”, como podia ser assim minha relação com o ex2 – “Já era, acabou.”  “Amor deixei sangrar meu peito”, coisas de Tom Zé cantando “ Se o caso é chorar”. Lógico que ontem esteve presente, nunca falta a uma de minhas convocações. Levou vinhos pra todos os gostos. Tomei uma taça do tinto. Comi um damasco com nozes, muito queijo e presuntos de peru. Ri a dar com o pau, será que desacostumei a beber vinho. Foi muito bom. Com a idade as memórias estão se esvaindo e rimos muito disso porque cada um lembrava de um pouco. A Emília começou a vasculhar a memória dizendo que lembrava do primeiro dia de aula, quando Lia virou pra alguém e disse assim, “pô eu ponho calça jeans, camiseta e aprendi a falar porra e vocês vêm me chamar de senhora, assim não dá” Eu lembrei de Marcos Margulhes, um colega de classe, um mestre fantástico, sociólogo. Lia derreteu-se logo, era fã. Lu, emendou com o lacaniano, nosso falecido colega – Cláudio Upiano – que o mulheril, com exceção minha e dela, tinham tesão enlouquecido. Nunca entendemos como podiam. Ele não era nosso tipo. Emilia, que era muito careta na época, citou que ficou vermelha quando Lia chegou a uma reunião em minha casa de vestido bem transparente, sem sutiã, com um calor enorme, nem reparou que essa foi marca dela a vida toda. Uma das melhores contadoras de história até hoje. Eu lembrei de suas costelas quebradas sem querer pelo namorado. Lu, de seu eterno pediatra, dr Delamare, Lia questionou o mistério do equipamento de laboratório de experimental. O sensor de mentira ficava pirado quando ela colocava o dedinho. Ri demais, pois revi cena. Ela ficava indignada. Quando testávamos o Marcão o equipamento nem se mexia mesmo ele contando mentiras terríveis. Meu ex sempre achou que ele era do serviço de informação.  Tempos de ditadura. Falamos de muitas coisas. Outra hora conto mais.

Articulei as caronas ao final e voltei sozinha. O melhor amigo do ex2 me ligou pra agradecer, saber se eu cheguei direitinho e me incitar a articular outro encontro brevemente.  Prometi a todos um por mês. Todos confirmaram presença em meu aniversário de 50 anos. Sou a mais nova.

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Uma resposta para dou psiu psiu psiu, perguntando por meu bem

  1. disse:

    Nossa! Isso daqui é uma vera epopéia. Visual e sensorial… kkkkk Apesar de não ter a mínima idéia de algumas das coisas experimentadas ali, viajei junto. Eu como sempre, pegando o bonde atrasado. Coisas de quem vive realidades distintas. Entretanto o gozo por certas situações e vivências é imutável e permanente fruto de lembranças inesquecíveis.
    Conta mais vai.
    Lú (pirando por conta da macromedia)

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